25 maio, 2015

Allah Las @ Beco 203

Foto: Mariana Falcão

Ok, algumas vezes o beco salva. Essa vez foi o dia 16 de maio, na longínqua Porto Alegre.

A parte boa da banda não ser lá muito conhecida é que o hype passou longe. Era o Allah-Las e tudo, mas quem é que esperava grande coisa? Aposto que a maior parte da galera tinha só ouvido falar qualquer coisa e resolveu dar o braço a torcer, o que não é necessariamente bom ou ruim. Eu não sei dizer com certeza (já que eu tava literalmente colado no palco), mas a casa tava cheia e essas coisas.

Aliás, pra quem não sabe, Allah-Las é o resultado quase inevitável do encontro entre, sei lá, The Nerves e Richie Allen & The Pacific Surfers. A garageira e o surf californianos. O primeiro álbum é infernal! No duro, é muito interessante mesmo. Não é tão inovador mas definitivamente não é óbvio. O segundo álbum, por outro lado... (também não é tão ruim assim, ok? Não viaja!)

Ninguém pareceu se importar muito com o Baby Budas (a banda que abriu). Tinha esse espaço todo entre o pessoal disperso e o palco enquanto eles tocavam. Fora que a maioria das pessoas chegou depois, só pra atração principal mesmo. Só lembro de uns ruídos que pareciam ser um cover de Interstellar Overdrive. Ou seja, até a banda de abertura sair do palco o clima tava um bocado chato: um monte de gente mala e pretensiosa falando alto sobre alguma coisa.

Eles chegaram sem muito alarde (ninguém reconheceu os caras) e foram fazendo os ajustes finais de equipamento. Quando então: Busman's Holiday. Só dava a galera com olhinho brilhando, cheio de sorrisos. As guitarras bonitas, a distância mínima entre o público e artista. A melhor parte: eles tavam tocando muito na humildade, sem aquelas caras que essas bandas de cretinos fazem. No duro, me emocionei um bocado.

Sabe aquela sensação quando parece que tu tá redescobrindo o som de cada um dos instrumentos? Isso fora a playlist imprevisível e a boa recepção da maior parte das músicas, mesmo entre quem nunca tinha ouvido. Destaque pra "Sandy", "Had It All", "Buffalo Nickel" e né, "Catamaran". Eu falei da euforia de quando tocou "Tell Me (What's On Your Mind)"?

Entre os poucos detalhes que deram errado, o cara do equalizador/mesa/mix devia ter sido demitido. Não dava pra ouvir muita coisa além das guitarras. Não chegou a estragar ou algo que o valha, mas foi o clássico "quem não conhece a música fica meio perdido". Fiquei meio chateado quando os caras não atenderam o clamor popular por certas músicas. E não era só eu, ok (cheguei a entregar um papel com o nome da música escrito)? Por sorte, deu pra conversar um pouco com alguns deles depois do show.

Eduardo Kapp

14 maio, 2015

Marina & The Diamonds - Froot (2015)



Nota: 7,8





Fernanda Rodrigues






Sabe aquela expressão “melhor de três”? Serve para Froot, que é o terceiro álbum da Marina, mas o produto final do que se pode chamar de um ~materialismo dialético~ entre os dois primeiros, The Family Jewels e Electra Heart.  No primeiro ela não tinha uma identidade bem formada ainda, perdida em um mainstream anônimo do mundo pop, provavelmente pouco certa do que ela mesma queria. É claro que, como qualquer experiência, fez com que ela (tentasse) inovar para o segundo. 

Electra Heart, como o próprio nome diz, teve como personagem principal uma garota que dava choque nas pessoas que chegavam ao redor porque ela própria já havia levado muito choque de gente que só queria brincar com seu “pobre coração”. Bem, foi um estereótipo ótimo para vender, principalmente se focarmos no público adolescente, em que algumas meninas decidem se tornar bad girl, como sugerido na trilha "How To Be a Heartbreaker", que apresentou regras essenciais para ser uma verdadeira desgraçada que só brinca com os caras que aparecem na sua vida, porque em algum momento de seus relacionamentos passados, já pagaram papel de trouxa™.

Basicamente, tratava-se de um alter ego que não sabia muito bem lidar com seus próprios sentimentos, ou melhor, com seus sofrimentos e descontava nos outros suas desilusões amorosas. Aí é que vem Froot na carreira de Marina, como quando aquela adolescente overdramatic  que finalmente entra na vida adulta e consegue agir com melhor racionalidade diante dos problemas. Em “Happy”, faixa escolhida para abrir o álbum, ela já deixa claro que descobriu o amor-próprio como o melhor remédio para a dor de coração. E é uma evolução não só para o lado sentimental, mas a estrutura do álbum em si é mais bem feita que a dos anteriores.

As batidas pops estão bem mais organizadas, ao contrário do eletrizante e irônico Electra Heart. E é bom lembrar que a produção do álbum contou apenas com a cantora e a ajuda de David Kosten, demonstrando abertamente que a sua intenção foi de fazer um álbum que tivesse o máximo de Marina Diamondis quanto fosse possível. Claro que é sempre delicado falar de amor e sentimentos sem deixar a música entornar em um caldo meloso que a gente acaba pulando para escutar a próxima faixa, mas ela até que se deu bem quanto a isso. Apesar de comportar versos como “I found what I’d been looking for in myself/ Found a life worth living for someone else/ Never thought that I could be happy, happy”, por exemplo, "Happy" tem uma das melodias – se não for a melhor – que mais se destaca dentro do álbum, com um piano nostálgico e sombrio por detrás, acompanhando a autorrealização que Marina canta e arrasta dentro de outras faixas. Por outro lado, alguns resquícios do álbum anterior podem ser sentidos em  "Blue" e "Can’t Pin Me Down", nas quais ela traz de volta o seu egoísmo, mas agora no sentido de valorizar mais a si mesma do que no intuito de ferir o cara com quem ela está saindo: “I’m never gonna give you anything that you expect/ You think I’m like the others/ Boy, you need to get your eyes checked”.

Ademais, apesar de ter vazado na internet antes do lançamento oficial, que só seria em julho, Froot não desapontou os fãs da cantora – ok, talvez tenha, no mínimo, surpreendido, já que provavelmente a maioria esperava algo mais parecido com o segundo álbum, apesar de "Froot" (a música) já ter sido lançado como single em novembro e ter dado uma ideia de quais eram as intenções da cantora. Não foi lá grandes avanços no mundo pop, tudo bem, mas, em questão de transformação e evolução pessoal, esse terceiro álbum nos mostrou quem é, de verdade, Marina Diamondis – agora sem ser confundida com outras cantoras ou com algum estereótipo de menina má – e que ela já tem (ou ao menos está no caminho de construir) sua própria marca. É sempre bom ver um artista superar as expectativas do próprio público.


Onde ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=dQZxF5T_oXY

13 maio, 2015

The Holydrug Couple - Moonlust (2015)

Nota: 7,6







Eduardo Kapp




Dois caras. Doidos. Lá de Santiago (do Chile). Depois de um álbum meio bucolismo-espacial (o que é algo conceitualmente intrigante), eles reaparecem com um desses álbuns que tu escuta 5s da primeira música e "ba, dream pop". Normalmente isso me deixa muito chateado. Particularmente, gosto muito do gênero. As noites ouvindo Galaxie 500, as tardes consumindo Broadcast. Ou o contrário. O problema é que o tempo vai tomando cada vez mais o espaço pra coisas óbvias.

Mas não que isso importe tanto assim. Na verdade, além de ter as melhores coisas do dream pop, tem uma porção de detalhes hipnóticos e aterrorizantes. É muito bem produzido, diga-se de passagem. Imagina se o Kevin Parker tivesse produzido um álbum da Victoria Legrand? Ou se a Galaxie 500 tivesse aprendido mais alguns acordes e viajado no tempo? Porque fora a hipnose, é tudo muito groovy, girando em torno do nada, procurando sabe-se lá o quê.

"Light or Night" é uma dessas maravilhas que tu não sabe se é triste ou feliz e no fim é o teu contexto que decide. Embora tomada por ondas de sintetizadores, fuzzy guitars aparecem no fim, encerrando da melhor maneira (e assim fazendo o que muitas bandas tentam e não conseguem). Essa sonoridade vai te lembrando aos poucos como é ficar sozinho. "If I Could Find You (Eternity)" já garante a originalidade e relevância do disco de uma vez por todas , justamente por isso(e ainda nem chegamos no lado B).

Talvez esse lance das músicas soarem tão cheias de conteúdo mas na real nem saberem o que realmente querem perturbe alguns. Digo, elas até cheiram a vazio. Ao mesmo tempo, deve ser por isso que são tão hipnotizantes. Não é tão difícil de se identificar com essa linha. Vagando entre tantos sentimentos, pessoas, lugares, coisas até que já são 3 horas da manhã e tem aula de eletromagnetismo na manhã seguinte.

Tem também o problema de ser meio repetitivo. Dum jeito legalzinho e tudo, mas não dá pra negar né. A sonoridade muda um pouco pro fim, com alguma experimentação eletrônica numa estética early-70's ou algo assim. Não dá pra falar mal. É uma questão de tempo até eles aparecerem com algo mais maduro e ainda melhor.

Eu não queria incluir isso aqui, mas eu precisava externar o quanto a última faixa tem um riffzinho que soa MUITO como o refrão de uma popular música de pagode. Fica a critério.

Onde ouvir: https://theholydrugcouple.bandcamp.com/album/moonlust

26 abril, 2015

Happyness - Weird Little Birthday (2014)

Nota: 9,2







Eduardo Kapp




De tempo em tempo, o buraco branco do underground musical cospe algo genial. Sem muito hype, anúncio ou dinheiro. Despretensioso. Quem é que dá a mínima?

A capa é um bocado estranha. Tem essa criança com a droga de um boné azul e esse cenário weird/chill que não te deixa tomar uma decisão final sobre a coisa toda. Não é qualquer coisa que te deixe pensando em um tipo de som específico. De qualquer forma, esse parece ser o ponto principal do disco todo. Estranho, chill, sutil, não tá nem aí pra ti.

Uma espécie de Smashing Pumpkins que superou as críticas do Pavement, aceitou o fim do Punk e voltou a ouvir Velvet Underground. Digo, esqueça sons over-detalhistas e pretensiosos. São histórias peculiares, não-lineares e divertidas pra burro. Não que sejam um monte de piadas idiotas, mas aquela ironia séria ou algo assim. Não sei explicar.

Tem umas atmosferas meio Yo La Tengo-esque, tipo em "Baby, Jesus (jelly boy)" ou em "It's on you". Tudo bem lo-fi, mas ao mesmo tempo hi-fi? Ok, ok, tu deve 'tar pensando: "deve ser mais um desses discos genéricos """"indie"""" nessas playlists que surgem no youtube ou qualquer coisa assim". NÃO! God, no. Eu já falei da influência do Velvet, né? Só que mais pop e clean e tudo. E essa coisa das influências eu digo no bom sentido, não como algo que te perturbe e te deixe chateado durante a música.

Acho que isso que deixa tudo tão intrigante. Mesmo com uma aparente aproximação "indie rock lo-fi" é tudo tão novo, de uma certa forma. "Orange Luz" e "Regan's Lost Weekend (Porno Queen)" tem esses versos ótimos e ficam na cabeça e acho que todo mundo pode se identificar com algumas coisas: "Well I'm sorry that you lost your shit *drums start* // And it's all I've got to say about it, tonight." Isso fora a instrumentação toda, que é um estouro. Melodias simples que soam complexas,  parece que tudo tá no lugar.

Já pro fim, eles acabam soando como uma espécie de Meadowlands (o clássico do The Wrens) moderno. Vai ficando difícil de escapar da imagem da estrada vazia num carro velho. "Lofts" é o centro disso, que aparentemente foi escrita depois da banda ter ido numa festa que de acordo com algum deles "[..] there was a cat lurking around the corridors and all I could think about all night was what that cat must've thought of us." Verdade ou não, faz muito sentido ficar intrigado com o que um gato pensa da gente.

Muito dinamismo, melodias brilhantes, lo-fi, peculiarismos e epifanias. Noise e clean e até um tanto de teenage angst. Essencial.

Onde ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=vNoUnqenMvE (não tem o álbum todo pra ouvir online, então contentem-se com a melhor track)

22 abril, 2015

Tyler, The Creator - Cherry Bomb (2015)

Nota: 7,6







Eduardo Kapp




If you're reading this, it's too late. A essa altura, noise, jazz, fusion e funk já chegaram em praticamente todos os lançamentos hip-hop/rap relevantes dos últimos tempos. Provavelmente vou me arrepender por dizer que essa seria uma "tendência" atual. Deve ser. Yeezus, The Money Store, Cosmogramma são só alguns exemplos (entre os grandes) recentes.

Sem arreganho. Guitarras, distorção generalizada, agressividade, nonsense e uma rebeldia (relativa) tipicamente tyleriana. Sei lá, tira um pouco das piadas e joga o "Wolf" num acelerador de partículas. Aproveite uma piscina que tá dentro dum caminhão em alta velocidade desgovernado. Tá, nem tanto. O disco começa mostrando muito mais complexidade instrumental do que qualquer coisa anterior. "Buffalo" é inesperada do início ao fim, um dos melhores exemplos disso.

A deliciosa "Find Your Wings" é, no entanto, uma das maiores armadilhas desse disco. Te embala com todo aquele fusion, soul, os corais todos e esses metidos que tocam piano muito bem. Não se engane. A próxima track é a mais barulhenta d(ess)a história. Começa parecendo uma espécie de Interstellar Overdrive e logo explode numa batida espumando de raiva, Tyler cantando completamente submerso, isso quando dá pra ouvir alguma coisa da voz do cara. Tie the know // kick the chair // float in the air // it's cherry bomb! Pensa numa letra que não faz o menor sentido. Pense até em sintetizadores distorcidos. Tyler não é nenhum Death Grips, mas fez a coisa soar suficientemente estranha.

Embora tenha esses momentos ultra-noise-doidera tem muito groove espalhado pelo álbum. Desde "Blow my Load" até o single "Fucking Young", dá pra ver até umas influências 90's. Na verdade tem tanta influência diferente, é difícil distinguir algumas coisas. E em outros momentos fica simplesmente.. fácil demais. É, fácil demais. Tyler sendo Tyler, versos homofóbicos como piada versos nonsense como novidade golfwang-wolfgang como novidade e "I don't like to follow the rules // that's just who I am" soa como uma piada. As vezes a experiência sonora é muito ligada à imagem que criamos em nosso subconsciente, e não sei vocês, mas eu costumo pensar nesse Tyler.

Não que ele não possa ser levado a sério, mas é como aquela pessoa que tá sempre fazendo uma horinha com todo mundo, tudo acaba soando como a droga de uma piada. E eu já falei do Kanye em "Smuckers" ? A música é um estouro, no duro, uma das minhas favoritas desse disco. A questão é que ele também soa um bocado engraçado, só pela imagem dele.

Essa complexidade nova chega a assustar (num bom sentido!), acho que só falta um pouco de visão de jogo e né, algum amadurecimento nos versos. As coisas acabam se compensando, a verdade é que esse álbum acaba sendo bastante hipnótico depois de algum tempo.

Onde ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=KAb30SO1iw4

16 abril, 2015

Sufjan Stevens - Carrie & Lowell (2015)

N
   o
       t
          a
              : 6,0



Eduardo Kapp




A moral é que às vezes eu simplesmente esqueço como essa ~era da internet é absurdamente rápida. Digo, a pessoa comum mal ouviu um ou dois álbuns que tenham sido lançados esse ano e já tem listas e mais listas dos melhores até aqui, ou listas de puro hype, comentando futuros lançamentos. Velho. Tentar acompanhar sozinho é como conversar com 3 pessoas ao mesmo tempo enquanto resolve uma prova de eletromagnetismo.

Eis que no meio disso tudo brota um novo álbum do Sufjan Stevens. Não é todo dia que o maluco sai de um hiato de 5 anos, né? Nesse período de quase-silêncio, rolou uma porção de coisas, até. O cara lançou um álbum >E< um EP com o projeto paralelo Sisyphus  (que é beeeeem diferente do estilo do Sufjan, no geral), fora uns sons de natal. Nossa eu simplesmente não entendo sons de natal. Mas isso fica pra outra review.

Era visto que depois de lançar coisas como o enorme Illinoise a expectativa pra qualquer outro álbum seria muito grande. Que baita disco esse, muito, extremamente diversificado, complexo, layered, intrigante. Aquele universo paralelo único do artista, a originalidade em seu maior momento. Sim, eu ainda tô falando do Illinoise, porque no recém-lançado Carrie & Lowell, a coisa é bem mais.. r00ts.

De início tem essa aproximação pop, aparentemente felizinha e tudo. Bom.. isso até tu perceber a tensão ENORME em cada verso. No meio de muito intimismo, folk roots, é como se o Sufjan fosse quebrar a qualquer momento. Sabe quando as pessoas tão discursando e tão naquele estado de quase chorar?  Essa atmosfera é genial, tu fica aflito junto, mergulha nos seus flashbacks de infância, onde ele fala sobre sua mãe (que morreu), e seu aparente distanciamento da mesma enquanto era viva. É pesado, pra dizer o mínimo.

É uma relação extremamente complexa, pelo que parece. Ele não exatamente "odeia" a mãe, mas rolou muita coisa trash. De qualquer forma, ele sente que ela ainda tá por perto, algo recorrente, uma espécie de energia que acompanha (sim, chega a esse ponto de intimismo).

Essa vibe estranha, triste e sombria consegue te prender até "All of Me Wants All of You". Não que depois isso não continue, mas acho que é a partir daí que começa o grande problema desse disco. Ele simplesmente não muda. Não que seja ruim, mas tu sabe exatamente o que esperar a cada música. É uma boa experiência, mas não é tão boa quando repetida incansavelmente. Parece que estamos ouvindo o Sufjan lá do início da carreira, na época do Seven Swans, mas obviamente com uma carga musical muito maior.

Por mais intimista e pessoal que fosse, eu sinto que justamente por isso dava pra ter sido tão melhor, ainda mais nesses sentimentos complexos. Literalmente algumas das coisas mais importantes da vida do cara viraram uma porção de músicas Violão&Voz. Sério isso é um negócio que me deprime um bocado. Vou ficar mal só de pensar o quão melhor podia ter sido. Embora isso possa soar um tanto egoísta ou algo assim, como uma experiência o disco simplesmente falha em manter o ouvinte interessado. Nos sons que não tem algum hook nem dá pra lembrar de muita coisa.

O que pensar?

Onde ouvir: http://music.sufjan.com/album/carrie-lowell

09 abril, 2015

Vespertinos @Theatro 13 de Maio




Foi um puta hype pr'essa noite, hein?

Os caras apareceram na Supernova Radio Web e até no ~JA~. No duro, tinha um bocado de gente falando sobre isso nos últimos dias. Fora o monte de rostinhos conhecidos que compareceram, tava um público doido por lá.

Cheguei cedo, logo garanti meu lugar no segundo andar do theatro. Todo mundo bem vestido e essas coisas todas. Fiquei meio assim com o fato de que tinha tanta gente mais velha. Será resultado do lance de ter aparecido no JA? Indicativo que o som é "amigável" por demais? Nah, não foi o caso. No início eles tavam meio assim, nervosos e tudo (menos o Alexandre, que se mexia pela banda inteira o tempo todo), mas a coisa foi ganhando dimensão.

Digo, "Escadarias" foi jogada ensaiada, com as luzes e a decoração toda, coisa bonita. Depois veio a minha favorita "Café de Terça", que tava impecável. Fazia tempo que eu não via um show local com uma acústica massa assim. O que eram aqueles metais?! Demais.  Bom, até aí nada muito além do esperado, certo? Os malditos entraram com uma panca de músicas novas, que dizem ser de seus futuros primeiro e segundo discos (?).

Rapaiz, a partir daí a experiência foi desafiadora. As mentes despreparadas tiveram que trabalhar pra processar tanta coisa. Alguns sons confusos, outros mais experimentais, outros cheios de energia. Aliás, taí algo que eu notei. Em sons tipo "Além de Mim" (que até onde eu me lembro foi uma das únicas que disseram o nome?), o baixo, a bateria e principalmente a guitarra tavam numa sintonia infernal, numa vibe surf-stoner-rock ou sei lá o quê, num dos poucos momentos em que o quase-maniático-não-erra-uma que era o baterista se soltou e poutz, foi doido. No entanto, o que parecia empatar essa vibe toda era justamente o que fazia o ponto alto de outras músicas: o vocal e o violão. A dica: vamo deixar essas influências se libertarem perfavore! But that's just me.

As músicas novas mostraram maturidade e essa coisa toda mas mostraram algo muito mais importante (ao meu ver): não ter medo de fazer merda/experimentação/doidera/TRASH SOUNDS FOREVER (não que tenham feito, hehe). Depois disso tudo, encerraram da melhor maneira com a segunda metade do EP, com direito a participação especial e tudo.

Moral da noite: Garanto que todo mundo saiu feliz de lá. Quem não esperava nada foi surpreendido, quem esperava o esperado foi surpreendido, quem esperava piadas ruins não foi surpreendido. Quando que é o próximo?

Eduardo Kapp